Sessão na Câmara é palco de divergências políticas
Por Allan Nóbrega, Lissandra Martinho e Patrícia Fagueiro


Prefeito alega que verba do SUS é insuficiente. Telma rebate acusações, criticando gerenciamento da Saúde municipal.
                                    Foto: Allan Nóbrega

Sessão contou com deputados federais

O último evento ocorrido na manhã desta quinta-feira foi a solenidade na Câmara de Santos, presidida pelo vereador Paulo Gomes Barbosa. Além do valor como parte das comemorações, a sessão foi marcada por declarações importantes de quem teve o microfone para se pronunciar.

O prefeito Papa criticou repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) ao governo municipal. Segundo ele, o secretário de Saúde, Odílio Rodrigues Filho, contabiliza serem necessários cerca de R$ 11 milhões para fazer o sistema de saúde de Santos “entrar nos eixos”. 

Papa acrescenta, ainda, que o governo federal têm responsabilidade em relação a IPTUs protelados por “centenas” de “potentes” empresas que atuam no Porto de Santos. Segundo o prefeito, o município perde, anualmente, R$ 10 milhões com a falta de pagamento destes impostos, recurso este quase suficiente para o melhor atendimento na saúde.

Ele promete, ainda, que se o governo parar de protelar esses impostos, a administração municipal se encarregará de direcionar a verba totalmente para o setor de saúde. “As ações judiciais começaram no governo Justo, passaram pelo governo de Telma de Souza, David Capistrano, oito anos de Beto Mansur e continuam até hoje em tramitação”.

Odílio Rodrigues Filho, em entrevista ao Baixada On Line, citou números diferentes de Papa. Segundo o secretário, são necessários R$ 13 milhões para cobrir a falta de verba solicitada no orçamento da pasta. “Se tivermos cerca de R$ 1,5 milhão a mais por mês, teremos condições de manter o sistema de saúde funcionando satisfatoriamente”. Sobre as empresas que não pagam IPTU, Odílio diz que a Prefeitura deve continuar a luta para que o dinheiro venha para o Município.

Quando discursou sobre a falta de verba vinda do governo federal, Papa citou Telma de Souza, como prefeita que enfrentou dificuldades para gerir o sistema de saúde do Município. A deputada rebate as críticas dizendo que vê problemas na gerência do setor e não na falta de verbas. Ela afirma que na época em que foi prefeita, conseguiu gerenciar toda a Cidade com a verba que hoje é disponibilizada apenas à Saúde.

Para resolver o problema da falta de pagamento do IPTU, Telma é taxativa. “Basta que a Prefeitura emita os carnês. Isso é uma prerrogativa da própria Prefeitura.”. Sobre o que pode fazer, a deputada prometeu encaminhar, na próxima semana, um requerimento de informações ao Ministério da Fazenda, para verificar quais são as condições existentes para trazer dinheiro à Cidade por meio das grandes firmas que operam no Porto.

Rebatendo críticas sobre o setor de saúde ser apontado como o mais frágil da administração pública, segundo pesquisa publicada hoje pelo jornal A Tribuna, Papa disse estar satisfeito com a média de 60 a 70% de satisfação dos munícipes que efetivamente utilizaram os equipamentos públicos.

O secretário de Saúde, Odílio Rodrigues Filho, reiterou a opinião do prefeito. “A gente toma cuidado com metodologia de pesquisa. Há um estigma de que saúde pública é ruim. A gente faz pesquisa junto ao usuário, e eles aprovam os projetos e programas. Só quem usa sabe”.

O vice-líder do governo, Marcus de Rosis, foi o orador da cerimônia e criticou o trânsito de caminhões, agravado pelo falho sistema de escoamento de cargas no porto. “O porto de Santos capitaliza o lucro sozinho e socializa o prejuízo com Santos e os demais municípios da Baixada Santista”. O vereador disse ainda que o porto é administrado “de costas para a Cidade” e que espera que esta situação mude.

O vereador defendeu, ainda, a gestão tripartite do porto de Santos que tentou ser implantada no Palácio do Planalto, em gestões anteriores. “Esta questão parece ter sido esquecida por conta de interesses e vontade política. A sociedade santista nos cobra que a gestão portuária volte a fazer parte das discussões políticas”.