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Exclusivo: passageira
de ônibus que foi incendiado conta o que viu
por Allan Nóbrega
A vendedora Valquíria
Souza estava no ônibus 9027 (percurso Cubatão/Vila Esperança-São
Vicente) da Viação Piracaicabana, que foi incendiado ontem durante
manifestação na Vila São José, em Cubatão. Ela conta, em entrevista
exclusiva ao Baixada On Line, os momentos de terror que ela e os
passageiros viveram na noite desta quarta-feira.
O incidente foi por volta
das 21h, quando, segundo Valquíria, cerca de dez pessoas encapuzadas
jogaram coquetéis molotov na carroceria, fazendo o veículo parar. Logo
depois, entaram pela porta frontal, que foi quebrada. "Já entraram
fazendo algazarra e ateando fogo em tudo. Não pediram para que nós
abandonássemos o ônibus, mas todos nós conseguimos sair pela porta
traseira. Por sorte, resolvi sentar no fundo, já que normalmente fico próxima
à catraca", afirma.
Valquíria conseguiu
entrar numa casa distante dos acontecimentos, ajudada por um conhecido que
mora no bairro. Ficou escondida na residência por cerca de uma hora, até
a polícia conseguir conter os incendiários. Os outros passageiros, em pânico,
fugiram à procura de abrigo. Muitos se refugiaram na Unidade Básica de
Saúde (UBS) do local.
De acordo com a
entrevistada, havia rumores entre motoristas e passageiros das linhas
intermunicipais que alguns manifestantes já tinham avisado sobre o que
iriam fazer: "Correu o dia todo o boato de que, no começo da noite,
eles 'pegariam' o primeiro ônibus que viesse de Santos", diz.
Não houve feridos. O
motorista do ônibus também saiu ileso, mas teve todos seus documentos
queimados pelos revoltosos. O incidente poderia ser uma tragédia ainda
maior, pois no horário em que foi atingido, o veículo costuma estar
lotado. Valquíria conta que o ônibus estava com poucos passageiros ontem
porque passou pelos pontos cerca de 20 minutos adiantado em relação a
seu horário normal.
Hoje pela manhã, ao
pegar novamente a linha 938B, a vendedora perdeu o controle e chorou muito
ao longo da viagem, principalmente quando passou novamente pela Vila São
José. Enquanto concedia a entrevista ao Baixada On Line, suas mãos não
paravam de tremer. Ela diz que está muito traumatizada com o ocorrido.
"Hoje, ao ver qualquer ônibus na rua, já me descontrolava e começava
a chorar e tremer", conta.
Os protestos dos últimos
dois dias foram motivados pela morte da jovem Talita Aparecida dos Santos,
na tarde de terça-feira. Ela esperava um ônibus na Avenida Tancredo
Neves, quando foi atropelada por uma lotação que perdeu o controle e
subiu na calçada. Os moradores reclamam que a retirada das lombadas ao
longo da Avenida para a instalação de radares provocaram um aumento no número
de acidentes no local.
No início da tarde desta
quinta-feira, para prevenir um novo incidente, a Polícia Militar colocou
na entrada do bairro uma base comunitária móvel, que ficará na Vila
durante toda esta noite.
A Prefeitura de Cubatão
decidiu colocar novamente as lombadas e outros redutores de velocidade na
Avenida Tancredo Neves.
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