 |
|
Militante lança
livro sobre a imprensa comunista
por Aline Alves
Após a solenidade a
Manoel Fiel Filho, Raimundo Alves de Sousa lançou o livro Os
Desconhecidos da história da Imprensa Comunista. O autor explica que
fazer esse livro foi uma tarefa difícil, “pois é um dever prestar
conta ao meu partido, o PCB (Partido Comunista Brasileiro)”.
Sousa afirma que
escrever sobre Fiel é de grande valia, uma vez que ele foi um militante
honesto e era o elo de ligação da classe operária. Ele conta no livro
que o jornal onde trabalhava como tipógrafo, durou 10 anos, e teve 121 números
e 28 páginas. A distribuição ficava por conta do PCB, o qual Fiel fazia
parte, exportando para outros países. “Não vou contar tudo, porque no
livro é relatado toda a história”.
O livro foi bastante
elogiado pelos presentes no lançamento. Para José Lira, representante
dos Bancários Aposentados do Rio de Janeiro, exilado durante 30 dias na década
de 70, tendo seus direitos civis cassados e sem trabalhar com carteira
assinada, é sempre válido homenagear figuras como Manoel Fiel Filho,
porque ele era o retrato do cidadão simples e trabalhador.
Benedito Furtado opina
sobre o livro. “É um relato sobre a experiência dele como militante
comunista e sobre a historia da imprensa comunista no Brasil”.
“Contar sobre o maior
jornal clandestino do mundo, o Voz Operária, é importante contar sobre
essa época da imprensa brasileira”, diz Alfredo de Souza do Sindicato
dos Jornalistas.
Histórico –
Natural de Quebrangulo, em Alagoas, Manoel Fiel Filho chegou em São Paulo
ainda menino. Antes de ser metalúrgico da empresa Metal Arte Indústrias
Reunidas, foi cobrador de ônibus.
Trabalhou nessa metalúrgica por 19 anos e foi no dia 16 de janeiro de
1976, no seu dia de trabalho que Fiel foi pego, pela manhã. Os agentes do
DOI-Codi- que diziam ser da Prefeitura- estavam a procura de um elemento
chamado Fiori, mas como ninguém o conhecia, denunciaram Fiel e o levaram.
Após invadir a casa do operário, vasculhar e não encontrar nenhum
exemplar do clandestino Voz Operária, o DOI-Codi ficou sabendo que
ele era distribuidor do jornal e o levou para Paraíso, endereço oficial
do DOI-Codi. Foi pra não voltar mais. No dia 17 de janeiro de 1976, um
homem tocou na casa dos Fiel entregando os pertences do ex-operário à
sua esposa, Thereza, dizendo que ele havia se suicidado com suas meias. Até
hoje não se sabe a causa da morte de Fiel.
|
|
|