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Rock, serpentinas e chapa quente
Em ritmo de Carnaval,
o coração do Brasil tem sentido uma brisa de calmaria. Na Granja do
Torto euforia apenas com a visita do vocalista da banda U2, Bono Vox, ao
presidente Lula. Sempre envolvido com questões de interesse social, o músico
se comprometeu a doar sua guitarra ao programa Fome Zero do Governo
Federal.
Nos últimos tempos,
Lula tem viajado pelo País inaugurando obras e divulgando o desempenho do
Governo nas mais diversas áreas. O resultado das últimas pesquisas
eleitorais, que o coloca na liderança das intenções de voto, o deixou
animado, preocupado apenas com o substituto do ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, que deverá deixar o cargo para coordenar sua campanha à
reeleição.
Dias
mornos também na Câmara dos Deputados. Plenário vazio e processos
emperrados por causa da folia. O último suspiro notável do Legislativo
Federal foi na semana passada, durante a aprovação por parte do Conselho
de Ética do parecer que recomenda a cassação do deputado João Magno
(PT-MG), por suposto envolvimento no esquema do “valerioduto”. O
retorno do “recesso” deve acontecer somente dia 7 de março e o
presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), promete votações importantes
para o dia 8, como dos processos de cassação de mais parlamentares
investigados pelo envolvimento no mesmo esquema.
A
revira-volta nas recentes pesquisas para o pleito presidencial, onde Lula
aparece imbatível nos dois turnos, deixou o tucanato se bicando e
obrigando seus dirigentes a correrem contra o tempo para escolherem de vez
quem enfrentará o presidente. Tarefa nada fácil para o PSDB, que tem o
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmando que é candidatíssimo
até o fim; e o prefeito da Capital, José Serra, ressaltando que só será
candidato se obter o apoio de toda a legenda. O ninho está pegando fogo,
é evidente a realização de prévias, e os “bombeiros” têm que se
apressar para apagarem o incêndio, pois os dois sequer trocam olhares.
Fato que pode ser maléfico para qualquer que seja o escolhido. Ah! O
governador ganhou recentemente o apoio de peso da viúva do ex-governador
Mário Covas, de quem Alckmin era vice.
Nada
a ver com essa confusão, mas colocando fogo em palha, um pré-postulante
ao Palácio do Planalto tem atraído a atenção do povo e deixado os
caciques do PMDB de cabelo em pé. Trata-se do ex-governador do Rio de
Janeiro, Anthony Garotinho, que contraria a cúpula peemedebista,
defensora da candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Germano
Rigotto. O “menininho” tem se infiltrado no ambiente evangélico para
tentar impulsionar seu nome na disputa interna contra Rigotto. Garotinho
tem como trampolim o programa Palavra de Paz, líder de audiência,
transmitido pela rádio evangélica Melodia e retransmitido por 181
emissoras em sete estados do País. O presidente do PMDB em São Paulo,
ex-governador Orestes Quércia, está querendo tirar a chupeta da boca da
“criancinha”, para, enfim, alavancar o nome de Rigotto.
No
Estado onde o mandante do “Massacre do Carandiru”, deputado estadual
Coronel Ubiratan Guimarães (PTB), foi absolvido, o papo é reduzir o
recesso parlamentar. A exemplo da Câmara Federal, a Assembléia
Legislativa quer diminuir o “descanso” dos deputados para 55 dias.
Atualmente, o recesso vai de 16 de dezembro a 31 de janeiro e durante o mês
de julho, mais de dois meses. Um método antiquado ainda adotado em muitas
Casas de Leis do Brasil.
E
ainda bem que o Estado de São Paulo não necessita do dinheiro que políticos
paulistas devem para avançar, caso contrário estaria estagnado. São
cerca de R$ 36 bilhões a menos nos cofres públicos, de acordo com o
Ministério Público Estadual. Na lista, nada mais nada menos que os
ex-prefeitos da Capital, Celso Pitta (PTB), na dianteira do ranking, com o
débito de R$ 10,3 bi; seguido por Paulo Maluf (PP), devendo R$ 9,55 bi; e
em terceiro lugar Marta Suplicy (PT), devedora de R$ 1,16 bilhão.
Esta
semana quem deu o “ar da graça”, ressurgindo das cinzas, foi o
ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PP). Após passar 40 dias atrás
das grades e ser impedido de viajar para França, Maluf voltou à televisão,
em clima de propaganda eleitoral para falar de suas realizações à
frente da Prefeitura, investigadas pela Justiça. O progressista não
descarta a possibilidade de sair candidato ao Governo do Estado, mas está
ciente de que enfrentará dentro do partido um páreo duro contra o
ex-prefeito de Santos, Beto Mansur, há meses em pleno ritmo eleitoral.
Por
falar em Mansur... Seu futuro político está nas mãos dos membros da
Comissão Permanente de Finanças e Orçamento da Câmara santista. Os
dois processos sobre as contas de sua gestão no Executivo, referentes a
1998 e 2000, rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), estão
sendo analisados e, caso a comissão acate a decisão do Tribunal, o
ex-prefeito dará adeus às eleições deste ano, pois estará inelegível.
Aqui
no Litoral céu nublado, mas clima quente. A folia não é para todo
mundo. Em Santos, o assunto é reajuste salarial do funcionalismo. A Câmara
aprovou o projeto do prefeito João Paulo Papa (PMDB), que concede
reajuste salarial de 6%, incorporação do abono de R$ 17,04 e aumento de
14% no vale-refeição. Isso sem controvérsias por parte da categoria,
que anda sem efetiva representatividade de um de seus sindicatos. Um grupo
de diretores não concorda com certos posicionamentos da presidente do
Sindserv, Graça Maria Costa da Silva, e quer vê-la fora da entidade. Por
lá, os rounds estão ficando emocionantes.
Já
em Bertioga é que “a coisa está feia”. Carnaval... Só para aqueles
que não servem ao Poder Público. A Câmara Municipal cassou o mandato do
prefeito Lairton Goulart (PL), com decisão unânime de 9 a 0. Foram dias
de muita discussão e bate-boca. Mas, ao que parece, essa “novela” está
longe de um final, pois o prefeito conseguiu uma liminar na Justiça que
garante sua permanência como chefe do Executivo bertioguense. Lairton é
acusado de infração político-administrativa cometida na Festa Nacional
do Índio. O segundo capítulo da “minissérie” ainda está por começar
- antes mesmo do primeiro terminar - quando outro processo, da suposta
irregularidade na construção de casas populares em parceria com a
Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), começar a ser
analisado. O prefeito, por sua vez, diz estar confiante de que o Judiciário
conseguirá reverter a situação.
No município de São
Vicente a história outra. Verba de gabinete dos vereadores. Pelo jeito,
acabou a mamata. Cada um por si! Os 15 parlamentares tiveram suas verbas
de gabinete – no valor de R$ 6.965,00 – suspensas pela presidência da
Casa, em cumprimento a uma determinação do Tribunal de Contas, que
rejeitou as contas do Legislativo referentes a 2003. Até que se reverta a
decisão, cada vereador terá que arcar com seus gastos. Porém, circula a
proposta do aluguel de carros, com motoristas, para ficarem à disposição
dos nobres edis.
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Eduardo Rodrigues escreve neste espaço todas as
quintas-feiras. |