Os bastidores da política 

Esta semana vem sendo marcada pela expectativa gerada pela pesquisa Datafolha divulgada no último final de semana. O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), continua na frente do presidente Lula (PT), fato que tem deixado tucanos sorrindo à toa. Porém, não tão à vontade, pois o resultado mostra uma recuperação do petista, que se aproxima do índice atingido por Serra. Noutro cenário, Lula se distancia cada vez mais do outro possível candidato, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, também do PSDB. 

Os números mostram que Serra venceria Lula nos dois turnos, no primeiro 34% a 33%, e no segundo 49% contra 41%, respectivamente. Uma pesquisa realizada em dezembro já havia mostrado a eventual vitória do prefeito paulistano: 36% a 29% e 50% a 36%, primeiro e segundo turno, respectivamente. Já na disputa com Alckmin, Lula seria reeleito vencendo os dois turnos: 36% a 20% e 48% a 39%, respectivamente. De acordo com a pesquisa de dezembro, Lula também venceria, com uma vantagem maior no primeiro turno, mas com uma vantagem menor no segundo: 30% a 22% e 41% a 40%.

Pelo jeito, os tucanos terão que quebrar a cabeça para escolher o adversário ideal para enfrentar o presidente Lula. Caso contrário, a reeleição será inevitável. Lembrando que na última eleição Lula foi melhor e anda com crescente índice de aprovação. Apesar de ser “cobra criada” no meio político, ainda está num prematuro mandato. Alckmin, por sua vez, está no final de seu mandato e não é reconhecido em todas os cantos do País. 

Outro destaque foi a “pisada na jaca” do ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em entrevista à revista Istoé. O cacique tucano disparou uma flecha pontiaguda contra o Governo Lula, e que pode até surtir efeito contrário. Ele disse que “a ética do PT é roubar”, declaração reafirmada durante entrevista na noite de segunda ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em alusão ao esquema do “mensalão”. As declarações causaram reações imediatas na direção do PT, que poderá processá-lo. 

A oito meses do pleito eleitoral, as declarações de FHC caem como uma bomba, apesar de experientes do meio político acreditarem que isso é só o começo. É preciso saber apenas se a atitude do tucano irá ajudar a legenda ou foi um chute na pata tucana. Há quem diga que FHC perdeu a postura de um ex-presidente.

Câmara Federal - Quem deve estar pra lá de irritado é o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB), que fracassou ao tentar assegurar a presença de, pelo menos, 51 deputados - de um total de 513 - às votações de segundas e sextas-feiras. Sem quórum mínimo nesses dias, desde a retomada dos trabalhos, dia 16 de janeiro, votações importantes estão encalhadas, projetos e pedidos de cassação de mandatos de deputados envolvidos no escândalo do “mensalão” continuam emperrados. Rebelo diz que a escassez se deve às atividades normais dos deputados num ano eleitoral – mesmo meses da campanha. Mais do que um desgaste para a imagem do Legislativo é um desrespeito com a população que o elegeu, uma vez que a convocação deverá custar R$ 100 milhões aos cofres públicos, incluindo dois pagamentos extras – cerca de R$ 25 mil – a cada um dos parlamentares. O pior é que muitos dos faltosos não abriram mão desta verba ou sequer doaram a entidades beneficentes.

Ao que parece, o céu está nublado na “Terra das CPIs”, onde os aviões com deputados por lá não chegam e o plenário da Câmara fica às moscas. Mesmo assim, os tucanos sobrevoam Brasília, tentando ofuscar o brilho da estrela vermelha. Parece que uma “serra” quer desabar em Planalto.

Baixada Santista – A chapa anda esquentando também aqui em Santos. O retorno das sessões do Legislativo santista exaltou os ânimos nos corredores e já tem deixado o secretariado municipal de cabelo em pé. Um deles é o secretário de Administração, Edgard Mendes Baptista Júnior, há pouco mais de um mês no cargo, “convidado” a prestar esclarecimentos sobre suas declarações quanto à empresa Ynel Auditores Associados, contratada pela Prefeitura para apurar o desvio na folha de pagamento. Baptista Júnior havia dito que a Ynel “não conhece com profundidade a linguagem do serviço público”, o que não agradou sua diretoria e deixou vereadores com a pulga atrás da orelha. O pedido de comparecimento do secretário foi uma iniciativa da vereadora Suely Morgado (PT), que concordou com o líder do Governo Papa, Marcus De Rosis (PMDB), a mudar o termo de “convocação” para “convite”.

Já na Câmara de Itanhaém - a exemplo do que aconteceu em Santos em 2001, quando conversas às escondidas pelas salas do Legislativo, em cima da hora, resultaram na derrota do candidato, até então, da maioria, Adelino Rodrigues (PSB) e na vitória surpresa do vereador Jama (PSDB) -, um reboliço estratégico nos bastidores culminou na vitória do vereador Valdir do Açougue (PL) para a presidência da Casa, quando tudo indicava a vitória de Regina Célia (PT). A cidade presenciou a “decisão de bastidor”, mais uma artimanha da política nacional.

 

 

  Eduardo Rodrigues escreve neste espaço todas as quintas-feiras.