Cenário
político
Sem
dúvida um dos assuntos mais discutidos esta semana no Planalto foi a
viagem de três deputados integrantes da CPI dos Correios a Nova Iorque
(EUA), em busca de informações sobre as contas do publicitário Duda
Mendonça no exterior. Os parlamentares Eduardo Paes (PSDB-RJ), Osmar
Serraglio (PMDB-PR) e Maurício Rands (PT-PE) conseguiram uma promessa
de apoio por parte da Justiça nova-iorquina, colaboração que será
bem-vinda para o prosseguimento das investigações. Além dos EUA, há
a suspeita, também, de que o marqueteiro da campanha vitoriosa do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dinheiro até em paraísos
fiscais.
Outra
discussão quente foi o depoimento à CPI dos Bingos do presidente do
Sebrae, Paulo Okamotto, amigo pessoal do presidente Lula, ex-assessor e
tesoureiro da campanha presidencial do petista em 1989. Okamotto está
sob investigação da comissão pelo pagamento de uma dívida R$ 29,4
mil de Lula junto ao PT, entre dezembro de 2003 e março de 2004. Tem
gente, inclusive, que quer quebrar os sigilos bancário e fiscal de
Okamotto para tentar descobrir a origem desse dinheiro, que a CPI
suspeita que pode ter vindo do esquema de caixa dois abastecido pelo
empresário Marcos Valério. Ele, por sua vez, nega qualquer suspeita e
diz ter pago do próprio bolso. Porém afirma não ter recibos dos
pagamentos efetuados.
Já
no Sudeste do Brasil, mais precisamente em São Paulo, o papo é outro:
eleição presidencial, discussão que tem deixado políticos com os
nervos à flor da pele. O que o diga o governador do Estado Geraldo
Alckmin e o prefeito da Capital José Serra, ambos do PSDB. Os dois
andam evitando trocar farpas e debater o tema, pelo menos em público.
Mas há quem diga que nos bastidores a briga por apoios está fervendo o
caldeirão tucano, provocando um certo racha na legenda. Serra sai na
frente, devido ao resultado de pesquisa recente feita Ibope, que o
coloca como vitorioso concorrendo com Lula. Além disso, o prefeito
paulistano, ao que parece, tem o apoio de caciques tucanos, como o
ex-presidente da República, Fernando Henrique, senador Tasso Jereissati
(CE) e o governador de Minas Gerais Aécio Neves. Por outro lado,
Alckmin, “pupilo” de Mário Covas, que voar mais alto e, depois de
chefiar desde 2001 um dos estados mais importantes do País, chegar ao
Palácio do Planalto.
Enquanto
isso, aqui na Baixada Santista, muitas festas de aniversário nos municípios.
Em Santos, glamour e beleza fizeram a diferença nas comemorações,
principalmente no tradicional Baile da Cidade e na tão sonhada
reinauguração do Teatro Coliseu, que contou com a presença de inúmeras
autoridades políticas e civis. O prefeito João Paulo Tavares Papa
(PMDB) também entregou o Aquário Municipal, totalmente reformado e
remodelado, e o Centro da Juventude da Zona Noroeste Silvio Fernandes
Lopes, com a participação de representantes do Ministério do
Desenvolvimento Social. Quer mais! Com certeza, Papa fará a diferença
nos apoios de quem quiser concorrer a algum cargo político este ano.
O
município de São Vicente comemorou 474 anos este mês, num estilo mais
modesto, mas também com festas, inaugurações e entregas de
equipamentos públicos. Sucesso total para a 24º edição da Encenação
da Fundação da Vila de São Vicente, quando mais de 60 mil de pessoas,
segundo a prefeitura, assistiram ao evento, o que foi bom para os políticos,
que não perderam a pose e aproveitaram para se fazerem presentes. A
entrega da Igreja Matriz também teve destaque, contando com a presença
do governador Geraldo Alckmin. Quem está rindo à toda por lá é o
prefeito Tércio Garcia (PSB), que sabe que não pode fazer feio no
reduto de votos de seu “padrinho” político Márcio França, do
mesmo partido, que pretende concorrer ou ao Governo do Estado ou a uma
vaga na Câmara Federal.
Contudo,
independente do tema a ser discutido na sociedade, seja CPI, disputa
eleitoral, festas nos municípios, a conclusão que se pode chegar é
que tudo isso será refletido na eleição deste ano. Os integrantes das
diversas CPIs, oposicionistas do Governo Lula, tentam, com unhas e
dentes, denegrir a imagem do presidente e do PT. Escândalos, desvios de
dinheiro, enfim, vários são os argumentos, querem a todo custo ligar
isso a Lula, mas até agora nada. Na disputa Serra X Alckmin, muita água
ainda vai rolar. Ambos podem errar nas decisões e ver suas campanhas
afundarem, ou podem acertar e ir aos extremos para chegarem ao cargo
mais alto do País. E, aqui na Baixada, não seria diferente. Eleição
também está na “boca do povo” e na cabeça dos políticos. Em
qualquer um dos âmbitos, federal, estadual ou municipal, o papo é um só.
Até porque, daqui a dois anos, haverá eleição para prefeitos e
vereadores novamente e os acordos já começam a se formar.